Para ela

Sempre quis escrever melhor, assim como os escritores que sempre gostei de ler. Não que eu ache que a minha escrita é nula, porque algo salva, mas concordo que o autor é o principal crítico de seu trabalho. Porque só ele sabe o que deu, se algo for sincero, trabalhado, só o escritor pode saber a importância de sua obra. Não existe escrita ruim, existe escrita que não alcança a vontade dos leitores, esta vontade que se pode traduzir tão intimamente alma. De viver entendo umas poucas coisas, com a vida tenho mais tenacidade do que a própria obra. Porque obra é coisa que precisa de tempo e energia, e minha falta de disciplina quanto a obra é algo que faço sátira. Dar tempo ao tempo é minha melhor resposta a isso. Da vida aprendi algumas coisas como já disse, como trocar um livro por uma pessoa? Como trocar uma boa conversa por uma máquina de escrever com uma folha em branco a murmurar? Dela também sei poucas coisas, o necessário para declarar feriado internacional. Motivo? A beleza. A beleza que existe no ser chamado mulher. Porque uma coisa para mim é bastante clara desde sempre, nada vale a pena fazer sem ter a chama acesa, e a minha é acendida por ela. Talvez a culpa disto em certa parte foi da bossa nova, agora não tem mais volta. Foi Vinícius de Moraes que ditou todas as regras, “Vai viver, vai chorar, vai sofrer, vai amar”. De todos os motivos pertinentes que se possa escrever, de todos eles como as causas sagradas, odes celestiais, profecias, ou cuspe a distância, uma coisa escreve mais em mim, esta escrita é a mulher, cantar a mulher, escrever a mulher. Explicar tudo pela geometria sagrada que é o corpo feminino e depois deitar tranquilo, feliz, porque ainda existe a mulher. Uma mulher para dançar Ella Fitzgerald na noite chuvosa de um ano qualquer, num Outono qualquer, uma mulher que saiba fazer doces de frutas e comer junto contigo na cama, debaixo dos lençóis. Uma mulher de olhos vivos e que compreenda todas as suas aventuras, sentimentos. Uma mulher que te dê as mãos até a rua dos extremos e que continue de mãos dadas se for preciso voltar a rua original, uma mulher que tenha uma voz que te agrade, e que ao falar diga rajadas de primavera. É dela que vem a inspiração entre os edifícios sem janelas para o mar.  É para ela que escrevo, ela que me faz sentir mais homem, mais poeta, que me fala de telepatia e imortalidade, que dignifica a vida.  É para ela o motivo, porque não a nada que me interessa como a nudez da mulher.

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Sobre Gustavo Santiago Guimaraes

Gustavo Santiago Guimarães é poeta. Autor de Sol-te no caminho.
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