Natureza subversiva

A luz aquece a pele das espécies na primeira hora da manhã,
Podemos aquecer a alma nestes bosques garota.
Podemos começar esta história.
A gota da arte é o fascínio efervescente.
A Deusa da beleza participa do nosso jogo.
Já somos nós mesmos quando olhamos o espelho?

O diabo está jogando xadrez com o inconsciente.
Teu passeio de memórias tem águas usadas, és falsa amiga
Deves morrer mais que uma vez para nasceres num poema.
Sopro o levantar da terra, as estações chegam com seu mistério suntuoso;
Daqui a pouco não há ciência, só respiração, a vida agora é respirar.
As unhas cresceram e o teu rosto ainda não fala
Estou no amor das coisas, no mínimo, irrepetível centro.

Brilha cegamente o sonho da criança,
fareja e lambe os selos da terra cada sonho de criança,
Eu sorrio por dentro mais uma vez, e as gengivas secas esperam pela chuva
Andei por todo lado, atento ao mundo, prendi-me nos enigmas, inspirei
Havia rigor, integridade,
Suor, compadecimento do pó.
devorei o mundo e fui devorado também.
Atravessei meu impulso, transcendi a coragem, libertei-me com fúria.
Fabriquei a direita da existência uma lágrima,
Sentei no banco e senti-me humano de olhos abertos
Quis enxergar o inacessível com a intuição profunda.

Resgatei o sinal cotidiano, e salvei o caminho na alma.
Reconheci o significado, pessoas, deitei padrões
Quis o desconhecido, o dinheiro era pouco,
O estilo de vida difícil, mas havia posicionamento
O andar era rebuscado, e não queríamos outra coisa.

A tua altura é intacta, teu ar encaixa, tua pele vibra.
O excesso das cores da sensações multi-orgásmicas
brota soberano o leite no campo, e você fica linda com esta roupa
tudo se faz com um assombro novo. Fundimos o mercúrio
A bagagem era retirada para continuar a viagem
Buscamos a noite toda o novo mundo, passamos para o outro lado.

Delicadeza é o dobrar da flor
A beleza se arrebata em si mesma,
À noite é uma cabeça inquieta e original.
Os filhos abrem os olhos e fazem o pacto com a realidade
Que realidade, a economia? – antes a esquizofrenia como verdade do povo.
Papoula irônica, tua polêmica é a magnificência do mundo
Oculto mudo, não lugar, toca-me, pousa teus lábios mais uma vez.
Daqui a pouco posso falar tudo, já sei bastante e não preciso ouvir mais nada.
Aprendi com os homens da margem, desconhecidos, que aparentemente não tinham nomes.

Quantas rodas da vida giraram dentro de nós em duas semanas?
The dark side of the moon,
A maturidade está na oficina do silêncio.
Se descobriu todos os talentos antigos, a casa se tornou quente
A alegria da dentada na melancia voltou, o espirito arqueou-se na varanda.
A linguagem cantou, o copo esvaziou, a caneta levantou-se
As tintas saíram das caixas, as telas foram pintadas.
Bebemos a jarra do sonho.
A onda foi projetada, mas só em nós ela quebrou-se:
Todos os falhados dormiram em nós
Todas as crianças dançaram no nosso quintal
Todos sonhadores suspiraram e continuaram inspirando o nosso filme
Todos os mendigos eram superiores e atraentes na nossa cidade
Todo sorriso louco foi contabilizado na memória marginal.

As mães continuam com os dedos e órgãos sagrados
Alimentando a imagem, ferindo o amor incontrolável,
O amor silencioso.
A morte não parece ser possível quando o amor se encontra dentro
A obra nasce,
O finalidade da vida é gastá-la em algo que pendure.

Os empregados do comercio continuam a falar socialmente
Por um tempo não amo o mundo, canso de tudo.
Mas nunca perco a curiosidade de continuar até o fim.
Minha ferocidade existe cegamente a pedir mais uma dose
Fulminado de milagre absoluto, se alimentando do mistério espacial.
Que alegria seria se te visse passar na rua com este vestido.

Eu nasci na geração robótica, condicionada ao funcionamento do sistema
Onde pessoas se parecem mais com cebolas revestidas de camadas e cascas
Perdidas no presente da sua vontade, com sonhos comprados.
Alguns jovens apontam porque assim deve ser:
Apontam para a curva do perigo,
Era preciso rebentar a corrente, sair da zona de conforto
Não ficar papeando com os velhos hábitos,
Nem praticar os protocolos e ser aprovados por eles
(Muito menos reconhecidos por eles!)
Começamos a viagem preciosa dentro do buraco.
Onde o mundo é zil vezes ao contrário.

A natureza subversiva não condescende com a autoridade
Ela se posiciona, não se mistura.
Pode jogar o jogo dos ratos, mas nunca se mistura.
Autodidata, ela estuda, o marginal deve sempre conhecer!
– Para se defender.
O conhecimento da fonte essencial não serve para pessoas mentais.
A sabedoria humana tem suas limitações, a intuição nunca.
Não interessava apenas o conhecimento, mas o saber natural
Vivíamos dispersos nos tempos da revolução interior;
Sempre a seguir estrada, a pegar carona para o mais longe possível
Se encostando na rua, nas praças, a beira de rios, em sofás desconhecidos
e hotéis baratos.
Conseguiríamos? Sempre tínhamos a certeza que a sorte apareceria.
Que esta coisa de querer ir além nos leva para qualquer lugar.
Que a entrega absoluta nos faz protegidos.
Os jovens que se apontam na minha geração viciaram no experimentar
Todo projetar é unicamente pela libertação individual:
A liberdade Vertical

Contraste do preto e branco,
O atrito do que nos desafia,                                                                                                                        De toda essa filosofia                                                                                                                                    As incertezas do destino,                                                                                                                                 Os altos e baixos da viagem.

Todos excessos eram bem vindos
Todo equilíbrio é encontro do amor
Isto relembrava-nos de que tínhamos veias e células.
Arrebentando a semente da moral enfrentando nossas mentiras comuns.

Anúncios

Sobre Gustavo Santiago Guimaraes

Gustavo Santiago Guimarães é poeta. Autor de Sol-te no caminho.
Nota | Esta entrada foi publicada em Poesias. ligação permanente.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s